Mudança no apetite provocada pelas canetas emagrecedoras amplia a busca por alimentos proteicos, enquanto o setor já oferece ovos enriquecidos, orgânicos e linhas premium de frango.
vicultura entrou na onda de mudanças provocada pelas canetas emagrecedoras em uma posição diferente de outras cadeias do agro. Em vez de começar agora a responder à procura por alimentos associados à saúde e à proteína, o setor já vinha diversificando produtos para acompanhar transformações no comportamento do consumidor.
A chegada de medicamentos como Mounjaro e Ozempic, na avaliação de produtores, acelerou uma tendência que já estava em curso. “Já observávamos uma tendência de valorização das proteínas consideradas saudáveis antes do Mounjaro e do Ozempic. Acredito que as canetas emagrecedoras aceleraram esse movimento e reforçam uma tendência de consumo voltado à saúde”, pondera Marcos Junges, produtor de frangos de corte em sistema de integração na cidade de Missal, no Oeste do Paraná.
Avicultor em Missal (PR), Marcos Junges: “Já observávamos uma tendência de valorização das proteínas consideradas saudáveis antes do Mounjaro e do Ozempic. Acredito que as canetas emagrecedoras aceleraram esse movimento e reforçam uma tendência de consumo voltado à saúde” – Foto: Divulgação/Sistema Faep
Junges, que vem de uma família de pioneiros na atividade, produz 37 mil aves por lote, distribuídas em dois aviários. A experiência na propriedade acompanha uma transformação mais ampla do setor, que passou a trabalhar com diferentes atributos e nichos de mercado para atender consumidores com demandas específicas.
Portfólio além do básico
Entre os exemplos estão ovos enriquecidos com ômega 3, vitamina D e selênio, ovos orgânicos e linhas premium de frango com alimentação 100% vegetal e sem uso de antibióticos. São produtos que ampliam o portfólio da cadeia e permitem atender públicos dispostos a buscar características específicas na alimentação.
Para Junges, essa diversificação fez diferença justamente quando as canetas emagrecedoras passaram a influenciar o comportamento alimentar de parte dos consumidores. Em vez de precisar criar uma resposta a partir do zero, a avicultura já contava com diferentes produtos capazes de dialogar com as novas demandas. “A questão das canetas emagrecedoras chegou quando a avicultura já estava preparada. Isso foi muito bom”, avalia.
O ponto, portanto, não está apenas no aumento da procura por frango e ovos, mas na existência de um mercado avícola capaz de oferecer diferentes produtos dentro da mesma cadeia. A tendência de consumo associada à saúde encontra uma indústria que já vinha investindo em diferenciação.
Proteína no prato
Na avaliação do produtor, frango e ovo também ganham relevância por serem fontes de proteína de alto valor biológico. A mudança no apetite provocada pelos medicamentos coloca essa característica no centro das escolhas alimentares de quem está em processo de emagrecimento. “Nutricionistas recomendam esses dois alimentos de alto valor biológico, que promovem saciedade e ajudam na preservação da massa muscular durante o emagrecimento, com ótimo custo-benefício”, salienta.
A associação entre proteínas e preservação da massa muscular é particularmente relevante porque a perda de peso não envolve exclusivamente gordura. Como apontado na reportagem sobre o impacto das canetas na alimentação, a manutenção da massa muscular durante o processo exige atenção à ingestão adequada de proteínas.
Nesse contexto, frango e ovos passam a disputar espaço não apenas como alimentos tradicionais da dieta brasileira, mas também como opções que se encaixam na busca por proteínas em uma alimentação de menor volume, característica que pode acompanhar a redução do apetite durante o tratamento.
Movimento de longo prazo
Embora as canetas tenham acelerado a discussão sobre alimentação e saúde, Junges avalia que a mudança pode ultrapassar o momento atual dos medicamentos. Para ele, a tendência de valorização de alimentos associados à qualidade nutricional pode permanecer mesmo com a evolução desse mercado.
“Esse movimento tem potencial para ser sustentável no longo prazo”, ressalta.
Fonte: O Presente Rural com Sistema Faep