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25-09-2026

Produção de leite cresce 2,38%

A produção de leite no Rio Grande do Sul cresceu aproximadamente 2,38% em 2025, na comparação com o ano anterior. O avanço, porém, não foi suficiente para aliviar as dificuldades enfrentadas pelas pequenas e médias indústrias de laticínios, pressionadas pelas importações, pelos custos internos e pela elevada ociosidade do parque industrial.

Segundo a Associação das Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Apil), os produtos importados representam cerca de 8% do mercado. A maior pressão vem de mercadorias originárias da Argentina e do Uruguai, que chegam ao Brasil com preços inferiores aos praticados pela indústria gaúcha.

Essa diferença afeta principalmente os laticínios de menor porte, que dependem do leite captado no Estado e disputam espaço diretamente com produtos estrangeiros nas prateleiras do varejo.

Importação por supermercados e pizzarias aumenta concorrência

O uso de empresas especializadas em comércio exterior também ampliou o acesso de redes de supermercados, pizzarias e outros compradores aos produtos importados.

De acordo com o presidente da Apil, Fernando Zimmermann, essas empresas conseguem realizar operações diretamente ou por meio de traders. Com custos mais baixos, os produtos estrangeiros aumentam a pressão sobre os preços do mercado interno.

Empresas maiores também possuem mais condições de importar ingredientes utilizados no processamento, como leite em pó e massa destinada à fabricação de requeijão. Já os pequenos laticínios trabalham majoritariamente com a matéria-prima produzida no Rio Grande do Sul.

A diferença na estrutura de compras reduz a capacidade das indústrias menores de competir apenas por preço.

Pressão do mercado chega ao valor pago ao produtor

O aumento da concorrência também afeta a relação entre produtores rurais e laticínios. Com menor espaço para repassar os custos ao consumidor, as pequenas indústrias acabam absorvendo parte das despesas, com reflexos sobre o preço pago pelo leite na propriedade.

Zimmermann afirma que esse movimento alimenta divergências dentro da cadeia, uma vez que produtores podem atribuir aos laticínios a responsabilidade pela redução dos valores recebidos.

Segundo ele, entretanto, as empresas estão reagindo às condições comerciais encontradas no mercado. “A gente acaba passando apenas uma parte desse custo e isso impacta diretamente no preço do produtor também”, explica.

Indústria gaúcha tem capacidade para processar quase o dobro

Outro desafio do setor é a diferença entre a capacidade instalada e o volume de leite produzido no Estado.

O parque industrial gaúcho pode processar entre 19 milhões e 20 milhões de litros por dia. A produção atual, no entanto, está próxima de 10,5 milhões de litros diários. Os números indicam que quase metade da estrutura disponível permanece sem utilização.

Diante desse cenário, os laticínios buscam aumentar a oferta dentro das próprias bases de fornecedores. A estratégia passa pela elevação da produtividade e pela redução dos custos de produção nas propriedades que já mantêm relacionamento com as indústrias.

Concentrar a captação nas regiões atendidas também pode diminuir despesas com transporte e assistência técnica, tornando a operação mais eficiente.

Apil defende sobretaxa para leite em pó e muçarela

A Apil defende medidas para reduzir a diferença de competitividade entre produtos nacionais e importados. Uma das propostas é aplicar uma sobretaxa sobre determinados lácteos provenientes da Argentina e do Uruguai, especialmente leite em pó e queijo muçarela.

A entidade discute o tema com o G100 e com a Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (ABIQ). O objetivo é avaliar mecanismos tributários capazes de aproximar os custos dos produtos estrangeiros daqueles fabricados no Brasil.

A associação também propõe ampliar o acesso ao crédito para empresas do setor e desenvolver ações voltadas ao aumento do consumo de leite e derivados.

Setor destaca exigências sanitárias da produção gaúcha

A Apil ressalta que a produção de leite e derivados no Rio Grande do Sul segue normas rigorosas de sanidade animal e segurança dos alimentos.

Zimmermann defende que o debate sobre competitividade considere não apenas os preços, mas também os critérios sanitários adotados nos países fornecedores. Segundo o dirigente, é necessário avaliar se os produtos importados estão submetidos a exigências equivalentes às aplicadas à produção brasileira.

Para as pequenas e médias indústrias gaúchas, o desafio será ocupar a capacidade instalada, preservar a remuneração dos produtores e enfrentar a concorrência externa sem comprometer a sustentabilidade econômica da cadeia leiteira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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