Na Ucrânia, a guerra também deve limitar os embarques
Agrolink - Leonardo Gottems
Os obstáculos logísticos provocados pela guerra no Mar Negro devem reduzir as exportações de trigo e ampliar os estoques disponíveis na região. Segundo o Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os embarques da Rússia devem atingir 40 milhões de toneladas em 2026/27, o menor volume em cinco anos.
A projeção divulgada em outubro ficou 3 milhões de toneladas abaixo da estimativa de setembro. Se confirmada, representará uma queda de 17% em relação à temporada 2025/26. O volume também ficará distante do recorde de 55 milhões de toneladas exportadas em 2023/24.
Em agosto, os exportadores russos começaram a redirecionar cargas pelo Mar Báltico diante dos ataques de drones ucranianos no Mar Negro e no Mar de Azov. A intensificação dos ataques à infraestrutura de armazenamento e movimentação de grãos, além de embarcações que transportam esses produtos, compromete o comércio agrícola da região, especialmente o trigo. O conflito se prolonga desde a invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Mesmo com as dificuldades, a Rússia deve continuar como a maior exportadora mundial do cereal. A União Europeia aparece atrás, com previsão de embarcar 31 milhões de toneladas em 2026/27. A redução da oferta russa ao mercado internacional decorre dos entraves às exportações, enquanto a estimativa de produção permanece em 88 milhões de toneladas.
Com menos trigo destinado ao exterior, o FAS elevou a previsão dos estoques finais russos de 16,09 milhões para 19,03 milhões de toneladas. Na Ucrânia, a guerra também deve limitar os embarques. A projeção para 2026/27 é de 12,2 milhões de toneladas, o menor volume em 12 anos.