Aos moinhos, a análise recomenda garantir trigo adequado à moagem
Agrolink - Leonardo Gottems
A comercialização do trigo exige cautela diante da pressão sobre os preços internacionais e das diferenças de oferta e qualidade entre regiões brasileiras. Segundo análise semanal da TF Agroeconômica, a recomendação aos produtores é evitar a retenção de toda a safra à espera de recuperação em Chicago e distribuir as vendas ao longo do tempo.
A consultoria orienta negociar parcelas da produção quando os valores cobrirem os custos e garantirem margem satisfatória, preservando parte dos lotes para eventuais altas. No Rio Grande do Sul, a qualidade pode fazer diferença: separar e analisar o trigo com melhores características de moagem e panificação ajuda a negociar prêmios pagos pela indústria. Também é importante comparar o valor líquido das propostas, descontando frete, secagem, armazenagem e classificação.
Para cooperativas, a orientação é classificar os estoques por padrão industrial, escalonar vendas e firmar contratos com critérios claros de qualidade, descontos e bonificações. Cerealistas devem evitar estoques especulativos excessivos e compromissos de entrega sem cobertura, acompanhando margens e custos de reposição.
Aos moinhos, a análise recomenda garantir trigo adequado à moagem, diversificar fornecedores e planejar compras graduais, equilibrando estoques e custos financeiros. Para exportadores, o cuidado deve recair sobre a paridade de exportação e a proteção de preço, câmbio e logística antes de fechar contratos.
O cenário externo segue pressionado pela chegada da safra do Hemisfério Sul e pelas vendas fracas dos Estados Unidos. Por outro lado, problemas logísticos no Mar Negro, riscos à safra argentina e a perspectiva de estoques menores no Brasil podem sustentar preços locais. Por isso, acompanhar o dólar e a paridade de importação é essencial para compradores e vendedores.