As projeções da Veeries indicam uma trajetória de expansão nas receitas
Agrolink - Leonardo Gottems
A indústria brasileira de etanol de milho avança para um novo patamar de faturamento, mas o crescimento da produção traz desafios para a comercialização do combustível. Segundo Marcos Rubin, CEO e fundador da Veeries, as usinas do segmento devem movimentar R$ 51,5 bilhões em 2027, enquanto a preocupação passa a ser a capacidade do mercado de absorver uma oferta cada vez maior.
O setor começou a se desenvolver na entressafra da cana-de-açúcar, quando usinas de Mato Grosso passaram a processar milho nos meses sem matéria-prima para a produção tradicional. Atualmente, são 35 unidades em operação, responsáveis por mais de um quarto de todo o etanol produzido no Brasil. A produção do segmento gira em torno de 12 bilhões de litros por ano.
As projeções da Veeries indicam uma trajetória de expansão nas receitas, que passaram de R$ 19,2 bilhões em 2023 para R$ 37,8 bilhões em 2025. Para 2026, a estimativa é de R$ 41,7 bilhões, antes de alcançar os R$ 51,5 bilhões previstos para 2027. O faturamento abrange o etanol e coprodutos, como DDG e óleo de milho, além de outras receitas.
Uma das vantagens do milho é a possibilidade de armazenar o grão e processá-lo durante todo o ano, reduzindo a dependência do calendário da cana. A indústria também criou um destino para a safrinha no interior do país. Em regiões situadas a cerca de 2 mil quilômetros dos portos, o cereal ganhou compradores locais, com remuneração acima da paridade de exportação e contratos plurianuais.
Com a ampliação da oferta até 2030 praticamente contratada, o desafio deixa de estar concentrado na capacidade de produção. Para sustentar o crescimento, o setor terá de encontrar demanda para o volume adicional de etanol e garantir disponibilidade de biomassa e infraestrutura logística para o funcionamento das usinas.