Exportações, clima e revisão de safras podem mudar o cenário de comercialização
Por Leonardo Gottems
A oferta ampla e a dificuldade de ampliar a demanda externa limitam a recuperação dos preços internacionais dos grãos. Segundo a TF Agroeconômica, soja, milho e trigo dependem de compras mais fortes ou de ajustes na produção para ganhar sustentação.
Na soja, as vendas semanais dos Estados Unidos somaram 2,576 milhões de toneladas, com 1,627 milhão para a China. O resultado não reverteu a queda em Chicago, diante da perspectiva de safras abundantes nos Estados Unidos e na América do Sul. Farelo e óleo também renovaram mínimas.
No Brasil, a previsão do tempo indica mais chuva no Sul e condições mais secas no Norte. O Deral elevou a estimativa da safra de soja paranaense para 22,8 milhões de toneladas. O clima em Mato Grosso em novembro e o relatório do USDA de 10 de novembro estão no radar.
No milho, as vendas externas norte-americanas de 1,304 milhão de toneladas ficaram abaixo do ritmo necessário para cumprir a projeção oficial. A oferta elevada limita a reação, apesar do consumo firme do etanol. Na colheita, os preços físicos perderam força em relação aos futuros. Uma eventual redução da safra pode vir acompanhada de cortes na demanda projetada, sem diminuir os estoques finais. No Brasil, exportações menores ampliam a disponibilidade interna e pressionam as cotações do milho.
O trigo enfrenta vendas semanais nulas nos Estados Unidos e concorrência russa, com embarques que podem superar 3 milhões de toneladas em novembro. A possível reabertura do corredor do Mar Negro pressiona os prêmios europeus. As consultas chinesas ainda não resultaram em compras expressivas. No Brasil, a queda dos preços argentinos limita novas altas do produto nacional.
Fonte: Agrolink