O mercado internacional de trigo atravessa um período de pressão no curto prazo, influenciado por fatores fundamentais e técnicos que limitam movimentos de alta nas cotações. De acordo com análise da TF Agroeconômica, o cenário atual é marcado por uma oferta global elevada e pela redução dos prêmios climáticos, o que mantém um viés baixista nas principais bolsas de negociação.
Oferta elevada e condições climáticas pesam sobre os preços
A recente queda das cotações em Chicago foi impulsionada pela realização de lucros e pelo alívio nas preocupações climáticas. As ondas de frio que atingiram o Hemisfério Norte não causaram danos significativos às lavouras dos Estados Unidos e da região do Mar Negro, e a elevação das temperaturas reforçou a percepção de normalidade produtiva.
Além disso, as boas perspectivas de exportação da Rússia em fevereiro continuam pressionando o mercado, ampliando a disponibilidade global de trigo no curto prazo. Esse cenário técnico reforça uma tendência de estabilidade a queda, limitando movimentos de recuperação mais consistentes.
Desempenho nas bolsas: Chicago e Europa registram queda
Os contratos futuros do trigo encerraram a semana em queda nas principais bolsas internacionais.
Ucrânia e Europa perdem fôlego nas exportações
Do lado estrutural, há um componente de sustentação moderada nos preços, com a estimativa de redução de 5% na área plantada de trigo na Ucrânia para a safra 2026/27. Contudo, o impacto dessa mudança tende a ser de longo prazo, sem influência imediata sobre as cotações atuais.
A ausência de avanços em um acordo de paz na guerra da Ucrânia segue dificultando o escoamento das safras da região do Mar Negro. Paralelamente, a desvalorização do dólar frente ao euro mantém a competitividade do trigo norte-americano, enquanto as menores exportações da União Europeia reduzem a pressão competitiva no mercado global.
Gestão de risco ganha protagonismo no cenário atual
Com a convergência de fatores baixistas e fundamentos técnicos frágeis, o trigo apresenta um comportamento de lateralidade com tendência de baixa. Analistas apontam que, sem um gatilho de alta consistente, o mercado deve manter o foco em estratégias de proteção de margem, hedge e gestão de risco para mitigar volatilidades no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio