O mercado de feijão iniciou fevereiro com fortes valorizações, impulsionado pela baixa oferta e alta demanda em diferentes regiões do país. De acordo com levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o feijão carioca é o grande destaque neste início de mês, registrando os maiores preços da série histórica Cepea/CNA, iniciada em setembro de 2024.
As cotações em alta se estendem tanto para os grãos de nota 9 ou superior, quanto para os de nota 8 e 8,5, refletindo a escassez do produto no mercado e o interesse crescente dos compradores.
Feijão preto também tem alta, mas em ritmo mais moderado
O feijão preto segue a mesma tendência de valorização, embora em menor intensidade. Segundo o Cepea, as cotações médias operam nos níveis mais altos desde março de 2025.
A menor força nas altas é explicada pelo abastecimento mais confortável da indústria e pela redução da presença de compradores no mercado spot, o que ajuda a equilibrar as variações de preço.
Clima seco acelera colheita da primeira safra no Rio Grande do Sul
Enquanto os preços sobem no mercado nacional, o Rio Grande do Sul registra bom avanço nas atividades de campo. Conforme o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na última quinta-feira (5), o tempo seco predominante favoreceu a colheita do feijão na maior parte das regiões produtoras do Estado.
Atualmente, mais de 80% das lavouras já foram colhidas em municípios como Erechim e Ijuí, enquanto em Soledade o índice chega a 95%, com boa qualidade dos grãos colhidos. Já em Caxias do Sul, o clima seco retardou o desenvolvimento das plantas, mas sem comprometer o potencial produtivo, visto que a maioria das lavouras ainda se encontra em fase vegetativa.
Chuvas irregulares geram lavouras com condições distintas
A Emater destaca que as chuvas recentes ocorreram de forma localizada e irregular, criando diferenças significativas entre lavouras até mesmo em áreas próximas. Cerca de 20% das plantações ainda estão em desenvolvimento vegetativo, e embora não haja impacto generalizado, já há registros de sinais de deficiência hídrica em algumas propriedades.
Para esta primeira safra, o órgão projeta uma área total de 26.096 hectares, com produtividade média estimada em 1.779 quilos por hectare.
Semeadura da segunda safra avança com boas perspectivas
A segunda safra de feijão também avança no estado, com aproximadamente 20% da área já semeada, impulsionada pelas condições de solo e pelas chuvas abaixo da média que têm permitido o trabalho das máquinas.
As lavouras recém-implantadas encontram-se em fase de desenvolvimento vegetativo, e a produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar é de 1.401 quilos por hectare, distribuídos em uma área total de 11.690 hectares.
Perspectivas para o setor
O cenário atual combina alta histórica de preços no mercado nacional e avanço consistente das lavouras no Sul do país, criando expectativas positivas para o setor.
A demanda aquecida e os baixos estoques seguem sustentando as cotações, enquanto o bom ritmo da colheita e o início da segunda safra reforçam o papel do Rio Grande do Sul como importante polo produtor neste início de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio