Os fundamentos globais seguem majoritariamente pressionados
Agrolink - Leonardo Gottems
O mercado internacional do trigo atravessa um momento de ajustes, com forças altistas e baixistas disputando espaço nas cotações. Análise da TF Agroeconômica aponta que a recente melhora em Chicago foi impulsionada pelo bom ritmo das exportações dos Estados Unidos e pela persistência de áreas com déficit hídrico nas Grandes Planícies.
Apesar desse suporte, os fundamentos globais seguem majoritariamente pressionados. A normalização do risco climático no Hemisfério Norte, a recuperação do potencial produtivo europeu indicada pela FranceAgriMer e a revisão para cima da safra russa pela IKAR ampliaram a disponibilidade exportável. Soma-se a isso um fluxo mais agressivo de vendas da Rússia no mercado internacional, reforçando a concorrência. Com esse quadro, Chicago encontra resistência técnica relevante e depende de novos gatilhos climáticos ou geopolíticos para sustentar altas adicionais.
Na Argentina, o mercado permanece altamente correlacionado a Chicago, com pouco espaço para prêmio FOB positivo. A maior oferta russa e europeia limita a valorização do trigo argentino, levando exportadores a operarem com margens comprimidas e foco em volume e liquidez. Para o Cone Sul, o produto argentino segue competitivo como origem de importação, especialmente para o Sul e Sudeste do Brasil.
No Brasil, os prêmios de importação permanecem baixos e defensivos, refletindo a forte concorrência externa e a ausência de prêmio climático relevante. A paridade de importação segue favorável ao comprador brasileiro, com o trigo importado mais competitivo em várias regiões consumidoras. Isso restringe o poder de alta do produto nacional, sobretudo fora dos nichos de qualidade superior. Moinhos operam abastecidos e com compras pontuais, aproveitando oportunidades de paridade. No conjunto, o ambiente global ainda favorece o comprador e mantém o mercado interno em postura defensiva.