O mês de fevereiro começou com novos aumentos nos combustíveis em todo o país. De acordo com o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), tanto o etanol quanto a gasolina registraram elevação nos preços médios nas bombas, refletindo o cenário de menor oferta e custos logísticos mais altos.
Etanol puxa alta dos combustíveis no início do mês
Na primeira quinzena de fevereiro, o etanol hidratado apresentou a maior variação positiva, com alta de 2,36% em relação ao início de janeiro, atingindo o preço médio de R$ 4,77 por litro. Já a gasolina comum avançou 0,16%, com valor médio de R$ 6,45 por litro.
Segundo o diretor de Rede de Abastecimento da Edenred Mobilidade, Renato Mascarenhas, mesmo após o reajuste para baixo da Petrobras em janeiro, os combustíveis mantiveram tendência de alta devido ao aumento do ICMS, custos logísticos e efeitos da entressafra da cana-de-açúcar, que reduzem a oferta de etanol no mercado.
Diferenças regionais mantêm desequilíbrio nos preços
A pesquisa indica grandes variações regionais nos preços:
Entre os estados, o Amazonas registrou o etanol mais caro do Brasil (R$ 5,47/litro), enquanto São Paulo teve o menor preço médio (R$ 4,58/litro), apesar de uma alta de 3,15%. No caso da gasolina, Roraima apresentou o valor mais elevado (R$ 7,41/litro), e a Paraíba o mais baixo (R$ 6,16/litro).
Mercado spot de etanol segue enfraquecido em São Paulo
Conforme dados do Cepea/Esalq-USP, o mercado spot de etanol em São Paulo teve uma das semanas mais lentas do ano entre 9 e 13 de fevereiro. O volume negociado foi o segundo menor de 2026, já que muitas distribuidoras seguem abastecidas por contratos firmados anteriormente com as usinas.
Com isso, os preços no mercado físico recuaram: o etanol hidratado fechou o período a R$ 3,0203/litro (queda de 0,96%), enquanto o etanol anidro foi cotado a R$ 3,4120/litro, redução de 2,23%. Essa movimentação mostra o impacto direto da entressafra e da menor disponibilidade de produto nas negociações imediatas.
Alta dos combustíveis pressiona transporte, mas inflação segue sob controle
Apesar do avanço nos combustíveis, a Banco Central do Brasil indica que a inflação permanece dentro da meta. O IBGE registrou alta de 0,33% no IPCA de janeiro de 2026, acumulando 4,44% em 12 meses, índice ainda dentro da margem de tolerância do Conselho Monetário Nacional (CMN), que estabelece meta central de 3% ao ano, com variação de ±1,5 ponto percentual.
O Relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, reduziu a previsão de inflação para 3,95% em 2026, reforçando a expectativa de estabilidade econômica. A taxa Selic, mantida em 15% ao ano, segue como principal instrumento para conter pressões de preços.
Perspectivas para o consumidor e o mercado
Mesmo com os aumentos pontuais no etanol e na gasolina, o cenário macroeconômico é de estabilidade e previsibilidade. Caso a inflação continue sob controle, analistas esperam que o Banco Central inicie um ciclo de cortes graduais na Selic ainda no segundo semestre de 2026, o que pode reduzir o custo do crédito e estimular o consumo.
O avanço dos combustíveis, entretanto, segue como fator de atenção, especialmente no impacto direto sobre o transporte e a cadeia de produção agrícola e logística nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio