Quinta-Feira, 28 de Junho, 2026 Acesse nosso Instagram
28-05-2026

Café mineiro cresce sob risco climático

Minas Gerais concentra 50% do café brasileiro

Agrolink - Leonardo Gottems

A safra recorde de café prevista para 2026 em Minas Gerais ocorre em meio a um cenário climático que amplia a preocupação com os ciclos seguintes da produção. Segundo Tatiane Oliveira, especialista em logística e gestão operacional, o avanço do aquecimento e a irregularidade climática indicam que o resultado positivo da próxima colheita antecede impactos mais severos, especialmente sobre a safra de 2027.

Minas Gerais concentra 50% do café brasileiro e cerca de um terço do arábica produzido no mundo. Para 2026, a Conab projeta uma safra estadual recorde de 33,4 milhões de sacas, alta de 29,8% em relação a 2025. O desempenho é favorecido pela bienalidade positiva e por chuvas regulares antes da floração, fatores que ajudam a sustentar a previsão de crescimento.

A leitura do quadro, porém, aponta para um risco climático acumulado. O El Niño previsto para o segundo semestre não deve atingir diretamente a safra de 2026, mas pode afetar a produção de 2027. A irregularidade já observada no Sul de Minas no início do ano reforça a atenção sobre o próximo ciclo da cafeicultura.

O alerta ganha força diante dos dados de aquecimento no estado. Turmalina, no Vale do Jequitinhonha, liderou o ranking do Cemaden de cidades brasileiras mais aquecidas em 2023, com 5,52°C acima da média das máximas diárias. Das 20 cidades mais quentes do Brasil naquele ano, 19 ficam em Minas Gerais, sendo 18 no Jequitinhonha. Belo Horizonte também foi a capital que mais esquentou, com alta de 4,23°C em novembro.

A pesquisadora Ana Paula Cunha, do Cemaden, documenta tendência de aquecimento contínuo no Jequitinhonha há pelo menos seis décadas, associada ao aquecimento global e à degradação da vegetação nativa. A mesorregião Norte integra o semiárido brasileiro, área que dobrou no estado em cinco anos, segundo a Assembleia Legislativa estadual. Gameleiras, Espinosa e Mamonas já atingiram clima árido.

Em dezembro de 2023, o governo estadual decretou emergência por seca em 62 municípios das regiões Norte, Vale do Mucuri e Jequitinhonha. Os ciclos de seca rigorosa registrados em 1939, 1975/76, 1996/97, 2015/16 e 2023/24 indicam intervalos mais curtos e impactos crescentes. Nesse contexto, o recorde previsto para 2026 não elimina a pressão sobre solo, floresta, água e população nas áreas produtoras e vulneráveis do estado.

Veja Mais
Preço da soja reage pouco e produtor segura venda...
Milho recua com avanço da colheita...
Mercados agrícolas iniciam dia em alta...
Mato Grosso do Sul amplia protagonismo no agro brasileiro em ano ...
Moagem de trigo cresce no Brasil e indústria amplia eficiência ...
Proteína do capim cai até 40% na transição para a seca...
Café abre em queda nas bolsas internacionais...
Açúcar: mercado recua em Nova York com oferta elevada...
Evento em alusão ao Dia do Leite vira comemoração pelo sucesso...
ALGODÃO: Embarques parciais já ultrapassam os de toda a tempora...
Mais vistos