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17-06-2026

Soja processada amplia valor no mercado externo

O avanço do processamento interno de soja indica uma mudança relevante no papel do Brasil na cadeia global da oleaginosa. A análise é de Leonardo Brunelli, diretor da Samba Brazil Origin Commodities, com base em dados da ABIOVE e demais fontes citadas no levantamento.

Em 2026, o país processou soja em volume recorde. A ABIOVE, Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, elevou a previsão de esmagamento para 62,2 milhões de toneladas na safra atual. Esse volume deve gerar 47,9 milhões de toneladas de farelo e 1,55 milhão de toneladas de óleo de soja.

O desempenho dos derivados também ganhou força no comércio exterior. Nos embarques de junho, o farelo de soja registrou crescimento de 115,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. A exportação projetada de farelo chega a 24,6 milhões de toneladas, sinalizando uma mudança de peso na pauta do setor.

Enquanto parte do debate público ainda se concentra nos números de exportação de grão, os dados mostram que o Brasil avança em outra direção dentro da cadeia da soja. O movimento aponta para maior processamento interno, agregação de valor e ampliação da participação de derivados no mercado externo.

A expansão é tratada como estrutural. A capacidade de esmagamento instalada cresceu mais rápido do que as limitações logísticas e tributárias conseguiram conter. Bunge, Cargill e Archer Daniels Midland Company ampliaram unidades no Centro-Oeste e no Corredor Norte, reforçando o papel do Brasil como maior processador de soja do hemisfério sul.

A demanda externa ajuda a sustentar essa mudança. A China aparece como principal destino do farelo brasileiro, em um cenário de pressão para substituir compras americanas diante de tarifas elevadas. O Oriente Médio se destaca pela importação per capita de óleos vegetais, enquanto o Sudeste Asiático amplia o consumo de proteína animal e, com isso, a demanda por farelo usado em ração.

Nesse cenário, farelo e óleo ganham relevância econômica. A transição de exportador de grão para exportador de derivados com maior valor agregado representa uma transformação silenciosa no agronegócio nacional, com impacto direto nas margens que o grão bruto já não entrega sozinho.

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