2026 e 2027 podem ser os anos mais quentes da história
Agrolink - Seane Lennon
O aumento da temperatura média global ganhou força ao longo de 2026 e elevou as perspectivas de novos recordes de calor entre o fim deste ano e 2027. Segundo informações do Meteored, os dados mais recentes do Serviço de Mudanças Climáticas da União Europeia, Copernicus, mostram que o planeta avançou rapidamente no ranking histórico dos anos mais quentes, enquanto o fenômeno El Niño continua em processo de fortalecimento.
O levantamento aponta que janeiro de 2026 ocupava inicialmente a quinta posição entre os janeiros mais quentes já registrados. Em apenas três meses, maio passou a figurar como o segundo maio mais quente da série histórica, posição que também foi registrada em junho.
Os dados utilizados são provenientes do conjunto ERA5, desenvolvido pelo Copernicus, considerado uma das principais bases de informações climáticas utilizadas mundialmente.
Apesar de a anomalia de temperatura global ter diminuído de +1,49°C em fevereiro para +1,39°C em junho em relação ao período pré-industrial, o posicionamento no ranking histórico melhorou. Isso ocorre porque cada mês é comparado apenas com o mesmo período dos anos anteriores.
Conforme o Meteored, "à primeira vista, pode parecer contraditório que a anomalia global tenha diminuído de +1,49°C em fevereiro para +1,39°C em junho, enquanto o ranking histórico subiu da quinta para a segunda posição". A explicação é que maio e junho, por serem meses climatologicamente mais frios do que janeiro e fevereiro, exigiram anomalias menores para alcançar posições mais elevadas entre os registros históricos.
Embora junho tenha sido o segundo mais quente da história em escala global, o comportamento das temperaturas não foi uniforme em todas as regiões do planeta. Na América do Sul, sucessivas incursões de massas de ar polar mantiveram temperaturas abaixo da média em diversas áreas desde o outono.
No Centro-Sul do Brasil, várias localidades registraram temperaturas entre 1°C e 3°C inferiores à média histórica durante junho. O texto destaca, no entanto, que a temperatura global corresponde à média entre continentes e oceanos, permitindo que regiões com aquecimento mais intenso compensem áreas temporariamente mais frias.
As maiores anomalias positivas foram registradas principalmente no Hemisfério Norte. Ásia Central, oeste da Sibéria, norte do Canadá, África e Europa concentraram os maiores desvios de temperatura. No continente europeu, uma onda de calor provocou anomalias entre 3°C e 5°C em diversas áreas. Fora do Hemisfério Norte, o principal destaque ocorreu na região localizada a oeste da Península Antártica.
Além do aumento das concentrações de gases de efeito estufa, outro fator contribui para a expectativa de novas marcas históricas: o fortalecimento do El Niño.
Enquanto as temperaturas do ar atingiram o segundo maior valor já registrado para junho, a temperatura média da superfície dos oceanos estabeleceu novos recordes para o período desde a segunda quinzena do mês. O aquecimento das águas do Pacífico Equatorial acompanha a evolução do fenômeno climático.
Segundo as projeções apresentadas, o episódio de El Niño entre 2026 e 2027 poderá figurar entre os mais intensos do século, com anomalias próximas de 3°C.
O Meteored ressalta, entretanto, que os efeitos do El Niño sobre a temperatura média global costumam ocorrer com atraso de alguns meses, já que a resposta da atmosfera acontece depois do aquecimento das águas do Pacífico, normalmente após o pico do fenômeno, previsto para ocorrer entre setembro e dezembro.
Diante desse cenário, a expectativa é de que a combinação entre o avanço do aquecimento global e o fortalecimento do El Niño aumente a probabilidade de novos recordes mensais ainda no fim de 2026 e mantenha essa tendência ao longo de 2027. Conforme o texto, "embora ainda seja cedo para afirmar que 2027 será o ano mais quente da história, a rápida escalada observada em 2026, aliada ao fortalecimento do El Niño, aumenta a probabilidade de novos recordes mensais de temperatura global no fim de 2026, cenário que pode se prolongar ao longo de 2027."