A produção brasileira de carne suína deve atingir o maior volume do ano entre julho e setembro, período em que frigoríficos e produtores tradicionalmente ampliam a oferta para atender ao consumo maior esperado no fim do ano. Em 2026, porém, o aumento da produção ocorre em um mercado que já convive com excesso de oferta, o que pode limitar a recuperação dos preços nos últimos meses do ano.
A estimativa é do Cepea, elaborada a partir de dados preliminares do IBGE. Segundo o Centro de Pesquisas, o terceiro trimestre concentra tradicionalmente o maior volume de produção de carne suína, em um movimento associado à preparação da cadeia para o aumento da demanda doméstica e externa no fim do ano.
O problema é que parte dessa oferta adicional chega ao mercado em um momento de preços deprimidos. Pesquisadores do Cepea apontam que a sobreoferta de carne no mercado independente vem sendo observada durante boa parte de 2026 e tem pressionado tanto as cotações do suíno vivo quanto as dos cortes.
Preços recuam em agosto
Os dados mais recentes mostram a intensidade dessa pressão. Em 26 de agosto, o suíno vivo era negociado a R$ 4,53/kg no Paraná, com queda de 2,58% no acumulado do mês. No Rio Grande do Sul, a cotação estava em R$ 4,62/kg, recuo de 2,94% em agosto.
Santa Catarina registrava o maior recuo mensal entre os Estados acompanhados pelo Cepea: o preço do suíno vivo chegou a R$ 4,56/kg, queda de 5,98% no mês. Em São Paulo, o indicador estava em R$ 4,86/kg, 4,71% abaixo do valor registrado no início do mês.
Minas Gerais apresentava a maior cotação entre os cinco mercados monitorados, a R$ 5,02/kg, mas também acumulava queda de 4,74% em agosto.
A pressão aparece também no atacado. A carcaça suína especial negociada na Grande São Paulo estava em R$ 7,38/kg em 26 de agosto, estável no dia, mas com retração de 10,22% no acumulado do mês.
Queda se acumula desde o primeiro trimestre
A trajetória dos preços ao longo de 2026 ajuda a dimensionar o movimento. Em março, o suíno vivo era negociado a R$ 6,62/kg no Paraná, R$ 6,74/kg no Rio Grande do Sul, R$ 6,55/kg em Santa Catarina e R$ 6,93/kg em São Paulo.
Em julho, as médias haviam recuado para R$ 4,76/kg no Paraná, R$ 4,92/kg no Rio Grande do Sul, R$ 4,94/kg em Santa Catarina e R$ 5,22/kg em São Paulo.
Isso significa que, entre março e julho, o preço médio caiu R$ 1,86/kg no Paraná, R$ 1,82/kg no Rio Grande do Sul, R$ 1,61/kg em Santa Catarina e R$ 1,71/kg em São Paulo.
Minas Gerais também registrou forte redução: de R$ 6,74/kg em março para R$ 5,64/kg em julho, diferença de R$ 1,10/kg.
Terceiro trimestre concentra produção
O aumento da produção no terceiro trimestre não é, por si só, uma anomalia. O ciclo de produção da suinocultura faz com que a cadeia se prepare antecipadamente para períodos de maior consumo, especialmente no fim do ano.
A questão, segundo o Cepea, é o ponto de partida de 2026. Como o mercado independente já apresenta sinais de sobreoferta, a entrada de volumes maiores entre julho e setembro pode dificultar uma reação mais intensa das cotações.
Normalmente, os preços da carne suína tendem a ganhar sustentação nos últimos meses do ano, acompanhando o consumo maior. Neste ano, contudo, o aumento da disponibilidade pode absorver parte desse movimento sazonal.
A combinação é relevante para produtores e frigoríficos: mesmo que a demanda avance no quarto trimestre, será necessário verificar se esse crescimento será suficiente para retirar o excedente atualmente presente no mercado.
Exportações e consumo doméstico entram na conta
A produção adicional foi planejada para atender tanto o mercado interno quanto o externo no período de maior demanda. O comportamento das exportações, portanto, será um dos fatores capazes de determinar quanto da oferta permanecerá disponível no mercado doméstico.
Se os embarques externos absorverem parte relevante do aumento de produção, a pressão sobre os preços internos poderá ser reduzida. Caso contrário, volumes maiores direcionados ao mercado brasileiro podem prolongar a competição entre produtores e compradores.
Por enquanto, os indicadores de agosto mostram que a oferta ainda supera a capacidade de sustentação dos preços. O suíno vivo acumula quedas mensais nos cinco Estados acompanhados pelo Cepea, enquanto a carcaça especial registra retração de dois dígitos no atacado.
Com a produção projetada para atingir o pico justamente entre julho e setembro, a evolução dos preços no quarto trimestre dependerá menos apenas do aumento sazonal do consumo e mais da capacidade do mercado de absorver a oferta adicional.
Fonte: O Presente Rural com Cepea