Nos estados, o cenário foi marcado por entraves logísticos
Agrolink - Leonardo Gottems
O mercado da soja encerrou o dia com leve baixa em Chicago, mas manteve saldo positivo no acumulado da semana. Segundo a TF Agroeconômica, o contrato de março caiu 0,16%, para US$ 12,11 por bushel, e o de maio recuou no mesmo percentual, para US$ 12,25, enquanto farelo e óleo subiram.
Depois de três sessões de ganhos, a oleaginosa perdeu força com realização de lucros em meio às tensões envolvendo ameaças de Donald Trump ao Irã. Também segue no radar do mercado a reunião entre o secretário Scott Bessent e o vice-premiê chinês He Lifeng, vista como importante para definir o ambiente da visita de Trump à China em 31 de março. No Brasil, a revisão da Conab para a safra em 177,85 milhões de toneladas, abaixo dos 180 milhões projetados pelo USDA, também entrou na conta dos investidores.
Mesmo com a queda do dia, a semana terminou em alta de 2,04% para a soja, com avanço de 24,50 cents por bushel. No mesmo período, o farelo acumulou ganho de 1,73% e o óleo de soja subiu 1,29%.
Nos estados, o cenário foi marcado por entraves logísticos, pressão sobre armazenagem e dificuldades no abastecimento de diesel. No Rio Grande do Sul, a colheita perdeu ritmo com combustível chegando a R$ 7,00 por litro em algumas regiões, o que ameaça a recuperação produtiva e amplia o risco para lavouras ainda no campo. Em Santa Catarina, a redução da área plantada e o estresse hídrico no Oeste reforçam um ambiente de menor potencial de valorização.
No Paraná, uma safra robusta convive com problemas de energia, diesel e armazenagem. Em Mato Grosso do Sul, a disputa por armazéns e o frete elevado aceleram o escoamento. Já em Mato Grosso, a produção histórica de 51 milhões de toneladas esbarra na limitação da capacidade estática, elevando custos e reduzindo o poder de negociação do produtor.