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18-03-2026

Petróleo pode elevar piso do açúcar no Brasil

Açúcar reage à dinâmica dos combustíveis

Agrolink - Seane Lennon

A dinâmica do mercado de energia voltou a ganhar relevância para o mercado global de açúcar, segundo análise da Hedgepoint Global Markets. De acordo com a consultoria, a evolução dos preços do petróleo e eventuais decisões da Petrobras sobre o repasse de custos de importação de combustíveis podem alterar o piso efetivo do adoçante ao influenciar a competitividade do etanol no Brasil.

Como cerca de 15% do consumo de gasolina no país é suprido por importações, a alta do petróleo eleva os custos e pode pressionar os preços domésticos. Nesse contexto, caso a Petrobras repasse, total ou parcialmente, esses custos ao mercado interno, o etanol tende a ganhar competitividade em relação à gasolina, incentivando as usinas a direcionarem maior volume de cana para a produção de biocombustíveis.

Nesse cenário, o piso implícito para o açúcar pode subir. Em um exercício de sensibilidade realizado pela Hedgepoint Global Markets, três cenários ilustram como a relação entre gasolina e etanol pode influenciar o preço mínimo do açúcar.

No primeiro cenário, baseado nos preços atuais do etanol hidratado nas usinas e considerando a importação de gasolina sem repasse de custos pela Petrobras, os preços do etanol hidratado em equivalente-açúcar situam-se em cerca de 17,4 centavos de dólar por libra peso, servindo como referência para as decisões das usinas. Quando o hidratado supera o açúcar, há tendência de redução do mix açucareiro e maior destinação da cana ao etanol.

Em um segundo cenário, no qual o etanol precisa se tornar mais competitivo que a gasolina na maior parte dos estados para estimular a demanda doméstica e absorver excedentes, o nível implícito para o açúcar cairia para cerca de 13,5 centavos de dólar por libra ex-mill em São Paulo, patamar considerado como piso ao longo da safra.

Já em um terceiro cenário, caso a Petrobras repasse integralmente os custos mais elevados de importação de combustíveis, mantendo a paridade na bomba, o piso poderia subir para cerca de 16,2 centavos de dólar por libra.

A análise ressalta ainda que, se houver repasse sem ajuste na paridade para consumo de excedentes, o preço do etanol hidratado superaria o patamar de 17,4 centavos de dólar por libra observado no primeiro cenário.

“Os preços do açúcar dispararam no início da semana passada devido às compras de fundos e cobertura de posições vendidas ligadas aos riscos no Oriente Médio, aos preços mais altos do petróleo e a interrupções logísticas, mas rapidamente reverteram a tendência, já que o movimento foi em grande parte técnico e os fundamentos continuam apontando para um excesso de oferta global”, afirma Lívea Coda, coordenadora de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.

“Ainda assim, se a força no complexo energético persistir, o piso do preço do açúcar pode se tornar mais altista. Preços mais firmes dos derivados de petróleo podem elevar o combustível doméstico no Brasil, fortalecendo a competitividade do etanol e influenciando diretamente as decisões de produção das usinas”, acrescenta.

Nas últimas semanas, o mercado de açúcar registrou volatilidade em meio a tensões geopolíticas e incertezas macroeconômicas. Os preços subiram no início do período impulsionados por compras de fundos e cobertura de posições vendidas, diante do aumento do risco no Oriente Médio e de interrupções logísticas no comércio internacional.

O movimento, no entanto, perdeu força à medida que o mercado reavaliou o cenário, com os fundamentos voltando a indicar excesso de oferta global, reforçando a avaliação de que oscilações ligadas a fatores macroeconômicos tendem a ser temporárias em um ambiente de superávit.

Assim, embora a sustentação no setor de energia possa oferecer suporte ao piso de preços por meio da dinâmica dos combustíveis no Brasil, esse efeito segue condicionado ao fluxo de informações e à duração do conflito no Oriente Médio.

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