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25-03-2026

Algodão brasileiro tem preços firmes com tradings pagando mais pela pluma

Ambiente externo mais aquecido tem fortalecido o interesse comprador

Agrolink - Aline Merladete

O mercado brasileiro de algodão segue com preços sustentados, em um cenário influenciado principalmente pelo avanço da paridade de exportação e pela valorização do Índice Cotlook A, referência internacional da pluma posta no Extremo Oriente. Segundo dados divulgados pelo Cepea, esses fatores continuam dando suporte às cotações no mercado interno.

De acordo com o centro de estudos, o ambiente externo mais aquecido tem fortalecido o interesse comprador no algodão brasileiro. Com a demanda internacional em alta, vendedores se mantêm firmes nos valores pedidos, enquanto tradings ampliam sua atuação e aceitam pagar mais pela pluma, diante da maior atratividade dos embarques ao exterior.

Esse movimento ajuda a explicar a resistência dos preços no Brasil, mesmo em um mercado que também registra atuação de parte da indústria nacional no segmento spot. Ainda segundo dados divulgados pelo Cepea, compradores industriais encontram dificuldades tanto na aprovação de lotes quanto no alinhamento de preços com os vendedores, o que limita o fechamento de novos negócios em algumas praças.

Há também indústrias que operam em ritmo diferente. Segundo o Cepea, parte desse segmento trabalha com matéria-prima já contratada anteriormente ou mantida em estoque, concentrando suas estratégias na comercialização de produtos manufaturados. Nesse contexto, o apetite imediato por novas aquisições no mercado disponível acaba sendo menor.

Outro ponto que segue no radar dos agentes consultados pelo Cepea é o comportamento dos fretes. Os custos logísticos têm peso relevante na definição da viabilidade de novos negócios e também no cumprimento dos contratos a termo, especialmente em um mercado influenciado pela dinâmica das exportações e pela disputa entre diferentes perfis de compradores.

Na prática, o cenário mostra um mercado de algodão sustentado por fatores externos, com reflexos diretos na formação de preços no Brasil. A firmeza dos vendedores, o maior interesse das tradings e os entraves enfrentados por parte da indústria ajudam a compor um ambiente de menor flexibilidade nas negociações.

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