No Brasil, um dos pontos observados é a possível elevação da mistura obrigatória
Agrolink - Aline Merladete
O mercado brasileiro de óleo de soja mantém trajetória de valorização, em um cenário influenciado tanto por fatores internos quanto externos. Segundo dados divulgados pelo Cepea, a alta dos preços está ligada à perspectiva de ampliação da demanda por biodiesel e às incertezas que ainda cercam o abastecimento global de combustíveis.
No Brasil, um dos pontos observados pelo setor é a possível elevação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel, de B15 para B16. Embora a medida estivesse prevista para entrar em vigor em 1º de março, ela ainda não foi colocada em prática, o que mantém a indústria em compasso de espera e interfere no ritmo das negociações.
Ao mesmo tempo, o ambiente internacional também tem sustentado as cotações. As tensões no Oriente Médio e a valorização do petróleo aumentam as dúvidas sobre o fornecimento global de energia, cenário que tende a fortalecer o interesse por combustíveis renováveis e, por consequência, por matérias-primas como o óleo de soja.
Mesmo assim, o avanço dos preços no mercado doméstico ocorre com certa moderação. Isso porque a indefinição sobre a adoção do B16 ainda limita movimentos mais intensos, já que parte das indústrias prefere acompanhar os desdobramentos antes de ampliar suas estratégias de compra.
Segundo dados divulgados pelo Cepea, o óleo de soja bruto e degomado, com 12% de ICMS, na região de São Paulo, chegou a R$ 6.953,38 por tonelada no dia 24 de março. O patamar representa o maior valor registrado desde 1º de dezembro do ano passado, período em que a cotação superava os R$ 7 mil por tonelada.
O comportamento recente do mercado mostra que o óleo de soja segue sensível tanto às decisões de política energética no Brasil quanto às oscilações do cenário externo. Para os agentes do setor, a tendência é de manutenção da atenção sobre o biodiesel e sobre os desdobramentos geopolíticos, fatores que podem continuar influenciando os preços nas próximas semanas.