Uma parcela importante da soja 2025/26 ainda não foi comercializada
Agrolink - Leonardo Gottems
A queda do câmbio amplia a preocupação com a rentabilidade da soja no Brasil, em um momento em que parte expressiva da safra ainda depende da formação do preço de venda. A avaliação é de Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, que observa uma diferença relevante entre a formação dos custos e a formação das receitas no campo.
Segundo ele, quando o dólar ainda se aproximava de R$ 5,10, já havia um alerta sobre o descasamento entre os custos, formados com câmbio próximo de R$ 5,40 a R$ 5,50, e a receita, projetada perto de R$ 5,00. Com a moeda norte-americana agora abaixo desse patamar, o cenário ficou mais desafiador para o produtor.
O ponto central é que uma parcela importante da soja 2025/26 ainda não foi comercializada. No Brasil, cerca de 45% da produção permanece a vender. No Rio Grande do Sul, onde a safra é estimada em 20 milhões de toneladas, aproximadamente 70% do volume ainda não teve venda definida.
Essa situação ocorre ao mesmo tempo em que o mercado já começa a discutir a safra 2026/27. Para Souza, porém, ainda há um volume relevante da temporada atual que precisa ser negociado, o que significa que a rentabilidade do produtor ainda não está completamente formada. Os insumos já foram comprados, consolidando o custo, e a produção já ocorreu, definindo também a produtividade. Nesse quadro, a variável restante é o preço de venda, que não tem oferecido sustentação suficiente diante do câmbio mais baixo.
Na avaliação do analista, o comportamento do dólar é um fator de atenção para o setor. Sobre a próxima safra, ele não considera, neste momento, provável uma redução da área de soja em 2026/27. A tendência indicada é de menor uso de tecnologia, o que pode levar a um quadro de estagnação. Souza lembra que a última redução de área da oleaginosa no país ocorreu há cerca de 20 anos e avalia que um diagnóstico mais preciso deve ser possível até junho.