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18-05-2026

Soja recua com cautela externa e custo logístico

No Rio Grande do Sul, a produção estimada chega a 21,44 milhões de toneladas

Agrolink - Leonardo Gottems

A soja encerrou a semana sob pressão no mercado internacional, em meio à frustração dos operadores com os sinais vindos da cúpula entre Estados Unidos e China e à cautela no mercado físico brasileiro. Segundo a TF Agroeconômica, o contrato de julho na Bolsa de Chicago fechou em baixa de 1,30%, a US$ 11,77 por bushel, enquanto agosto recuou 1,11%, a US$ 11,765 por bushel.

A queda refletiu a percepção de que a retórica da Casa Branca sobre o compromisso chinês de comprar 25 milhões de toneladas na safra 2026/2027 não convenceu o mercado. A pressão foi ampliada pelo esmagamento de soja divulgado pela NOPA, de 5,77 milhões de toneladas em abril, abaixo do esperado devido a paradas sazonais para manutenção. Na semana, a soja acumulou perda de 2,57%, enquanto o farelo subiu 4,57% e o óleo recuou 0,59%.

No Rio Grande do Sul, a produção estimada chega a 21,44 milhões de toneladas, alta superior a 57% frente ao ciclo anterior, com 79% da área colhida. A umidade elevada limita o avanço dos trabalhos, exige secagem artificial e aumenta custos. A disputa por armazéns com o milho, já colhido em 92% da área, mantém fretes pressionados e acelera o escoamento para o Porto de Rio Grande.

Em Santa Catarina, a colheita alcança 74%, com Palma Sola avançando para R$ 113,00 e o porto de São Francisco cotado a R$ 132,00. O estado acompanha a necessidade de importação de grãos do Paraná e do Rio Grande do Sul para abastecer fábricas de ração.

No Paraná, a produção é estimada em 22 milhões de toneladas, com colheita praticamente encerrada no Oeste e Sudoeste. O frete interno ficou 17,1% mais caro em relação ao ano anterior, enquanto o diesel subiu 23% em pouco mais de um mês, pressionando margens e ampliando a apreensão entre produtores.

Em Mato Grosso do Sul, a colheita está em 91,6%, com produtividade média reduzida pelas intempéries. Já em Mato Grosso, a safra recorde de 51,56 milhões de toneladas contrasta com o custo projetado de R$ 8.037,13 por hectare para 2026/2027 e fretes mais altos nas rotas de exportação.

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