Fosfatados exigem aceleração nas compras
Agrolink - Seane Lennon
As importações brasileiras de fertilizantes registraram queda de 8,6% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado, considerando as principais matérias-primas adquiridas pelo país. A avaliação é do analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías.
Segundo Pernías, o recuo reflete um ambiente de maior cautela por parte dos compradores brasileiros, influenciado pelas incertezas geradas pela guerra no Oriente Médio e pelas relações de troca consideradas entre as menos favoráveis dos últimos anos.
"As importações brasileiras de fertilizantes seguem enfraquecidas em 2026. No acumulado de janeiro a junho, considerando as principais matérias-primas importadas pelo país, os volumes ficaram 8,6% abaixo do registrado no mesmo período de 2025", afirma.
O analista explica que esse cenário levou parte da demanda a reduzir o ritmo das compras e adiar negociações, o que acabou pressionando os volumes desembarcados nos últimos meses.
"O movimento reflete um cenário de maior cautela por parte dos compradores brasileiros, em meio às turbulências provocadas pela guerra no Oriente Médio e a relações de troca que estiveram entre os piores níveis dos últimos anos. Diante desse ambiente, parte da demanda reduziu o ritmo de compras e postergou negociações, pressionando os volumes desembarcados nos últimos meses", destaca.
Entre os fertilizantes, a ureia apresentou uma das maiores retrações. As importações do produto ficaram 32% abaixo do registrado entre janeiro e junho de 2025. O fosfato monoamônico (MAP) também registrou queda de 24% no período, enquanto o nitrato de amônio teve redução de 42% em relação ao primeiro semestre do ano anterior.
Outro destaque foi o enxofre, matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes fosfatados. Conforme a análise da StoneX, as importações do insumo caíram cerca de 42% na comparação anual.
"Outro ponto de atenção é o enxofre, matéria-prima essencial para a produção de fosfatados. As importações brasileiras do insumo ficaram praticamente 42% abaixo das observadas no primeiro semestre de 2025. Em meio à escassez global do produto, fabricantes têm reduzido suas taxas de operação, limitando a oferta internacional desse grupo de fertilizantes", observa Pernías.
Na contramão desse movimento, o cloreto de potássio e o superfosfato triplo (TSP) registraram crescimento nas importações em relação ao ano passado. Segundo o analista, condições mais favoráveis de compra e relações de troca mais atrativas sustentaram o avanço do cloreto de potássio. Já no caso do TSP, a menor disponibilidade global de MAP e DAP levou parte da demanda brasileira a buscar essa alternativa para suprir a necessidade de fósforo.
Ao avaliar o abastecimento para a safra 2026/2027, Pernías afirma que o tempo disponível para importação está cada vez mais reduzido, embora o impacto varie entre os diferentes segmentos do mercado.
"Para a safra 2026/2027, a janela de importação está cada vez mais curta, embora os impactos variem conforme o segmento analisado. Entre os nitrogenados, as compras externas costumam ganhar tração a partir de junho e julho, alcançando volumes mais elevados até dezembro, período em que os importadores recompõem estoques antes da safrinha", explica.
O analista alerta que a situação é mais delicada para os fertilizantes fosfatados, cujas aquisições normalmente se concentram entre abril e agosto. "Nos fosfatados, porém, o quadro é mais sensível. A maior parte das compras costuma ocorrer entre abril e agosto e, para que os fertilizantes estejam disponíveis para uso a partir de setembro e outubro, os importadores brasileiros precisarão acelerar o ritmo de aquisições nas próximas semanas", conclui.